Há sempre salas vazias,
caras sérias,
contas atrasadas.
Há sempre aniversários,
compromissos, datas.
Há sempre a velha tia
as bodas, as traças,
Há sempre as chaves, os telefonemas, as cartas.
Há sempre o abraço não dado,
o adeus não recebido,
as mágoas não curadas.
Há sempre as lágrimas,
os abraços, os risos maldosos,
os comentários infelizes.
Há sempre a incerteza do não cumprido,
a angústia dos resultados,
os amores não correspondidos.
E há sempre, em todas as horas,
essa chuva fina,
esse céu azul
que perdoam nossa permanência.
(17.04.08)
domingo, 21 de abril de 2013
Cotidiano de um homem bom
Acorde, homem bom, é hora de trabalhar.
Ande, homem bom, você precisa do seu sustento.
Acalme-se, homem bom, todos estão olhando.
Sorria, homem bom, não há razão para angústia.
Fale, homem bom, mas não diga nada.
Ouça, homem bom, mas não entenda nada.
Chore, homem bom, mas não pelas suas mágoas.
Sinta, homem bom, mas não as suas dores.
Ande, homem bom, é hora de voltar para casa.
Ame, homem bom, precisamos de outros assim como você.
Durma, homem bom, mas não sonhe.
Morra, homem bom - é só o que lhe resta.
E surgem homens bons,
bons e calados,
nas fábricas,
nas ruas,
nas sarjetas.
(27.10.2008)
Ande, homem bom, você precisa do seu sustento.
Acalme-se, homem bom, todos estão olhando.
Sorria, homem bom, não há razão para angústia.
Fale, homem bom, mas não diga nada.
Ouça, homem bom, mas não entenda nada.
Chore, homem bom, mas não pelas suas mágoas.
Sinta, homem bom, mas não as suas dores.
Ande, homem bom, é hora de voltar para casa.
Ame, homem bom, precisamos de outros assim como você.
Durma, homem bom, mas não sonhe.
Morra, homem bom - é só o que lhe resta.
E surgem homens bons,
bons e calados,
nas fábricas,
nas ruas,
nas sarjetas.
(27.10.2008)
Das horas
As horas passam por mim
e acenam - a velha ironia do tempo!
É inútil esperar qualquer coisa...
Meu coração bate sempre atrasado!
(2008)
e acenam - a velha ironia do tempo!
É inútil esperar qualquer coisa...
Meu coração bate sempre atrasado!
(2008)
Há uma vaga incerteza
Há uma vaga incerteza
que paira no ar,
que enche os olhos,
que paralisa as mãos,
que desconcerta o dia.
Há uma vaga incerteza
que assola a alma,
que divide os povos,
que ameaça os sãos.
Há uma vaga incerteza
que alegra e fere,
que presenteia,
que pede,
que chora
e que ri.
Há uma vaga incerteza
que fortalece o fraco,
que acovarda o forte,
que une os desiguais,
que separa irmãos.
Há uma vaga incerteza
que às vezes se esconde
faz-se de morte
e então renasce,
para sempre ou não.
Há uma vaga incerteza
que faz parte de ti,
de mim,
nossa melhor parte.
Há uma vaga incerteza
que de certa tenha talvez o nome
e a intenção
Há uma vaga incerteza
e teu nome é verdade.
(17.10.08)
que paira no ar,
que enche os olhos,
que paralisa as mãos,
que desconcerta o dia.
Há uma vaga incerteza
que assola a alma,
que divide os povos,
que ameaça os sãos.
Há uma vaga incerteza
que alegra e fere,
que presenteia,
que pede,
que chora
e que ri.
Há uma vaga incerteza
que fortalece o fraco,
que acovarda o forte,
que une os desiguais,
que separa irmãos.
Há uma vaga incerteza
que às vezes se esconde
faz-se de morte
e então renasce,
para sempre ou não.
Há uma vaga incerteza
que faz parte de ti,
de mim,
nossa melhor parte.
Há uma vaga incerteza
que de certa tenha talvez o nome
e a intenção
Há uma vaga incerteza
e teu nome é verdade.
(17.10.08)
Se
Se eu pudesse, seria uma pessoa.
Seria esse ser completo e perfeito,
ágil e pensante.
Se eu pudesse, seria tanto!
Se acaso eu tivesse
um dia a oportunidade
quanto não daria
por um sorriso verdadeiro!
Por um ser que não fosse apenas homem,
mas humano!
Por um ser diferente desses que sobem e descem,
embriagam-se e morrem.
Por uma máscara diferente dessa
(agora inútil!)
Por uma alma diferente dessa,
trágica e cômica
como um sorriso de Carlitos.
(S.D)
Seria esse ser completo e perfeito,
ágil e pensante.
Se eu pudesse, seria tanto!
Se acaso eu tivesse
um dia a oportunidade
quanto não daria
por um sorriso verdadeiro!
Por um ser que não fosse apenas homem,
mas humano!
Por um ser diferente desses que sobem e descem,
embriagam-se e morrem.
Por uma máscara diferente dessa
(agora inútil!)
Por uma alma diferente dessa,
trágica e cômica
como um sorriso de Carlitos.
(S.D)
E sorrio novamente
Sorrio novamente, mesmo teatro
Mesma peça, num palco quebrado
A mesma esperança de artista mambembe
A grande chance em cada esquina
A mesma lágrima falsa de aquarela
Finjo ser preciso interpretar a dor
Sorrio novamente, roupa de palhaço
Remendo meu terno colorido
E aceno
Para uma platéia inexistente
Ensaio um sorriso e sigo de novo
Vivendo da expectativa do próximo ato
Do próximo dia, do próximo ano
Da próxima alegria que virá
E que em meu devaneio, já sinto minha!
Não há nada, nada mais sincero
Do que meu eterno faz de conta!
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