domingo, 21 de abril de 2013

Das coisas permanentes

Há sempre salas vazias,
caras sérias,
contas atrasadas.
Há sempre aniversários,
compromissos, datas.
Há sempre a velha tia
as bodas, as traças,
Há sempre as chaves, os telefonemas, as cartas.
Há sempre o abraço não dado,
o adeus não recebido,
as mágoas não curadas.
Há sempre as lágrimas,
os abraços, os risos maldosos,
os comentários infelizes.
Há sempre a incerteza do não cumprido,
a angústia dos resultados,
os amores não correspondidos.
E há sempre, em todas as horas,
essa chuva fina,
esse céu azul
que perdoam nossa permanência.

(17.04.08)

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